sábado, 21 de novembro de 2009
CONTRA O VENTO
Põe o som bem alto e solta a energia que há em ti!...
Nada como a dança para nos pôr p'ra cima...
SONETO AO VENTO
Jangada-Cândido da Costa Pinto(1911-1976)
AO VENTO
O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas ásperas de demente;
E esta minh'alma trágica e doente
Não sabe se há-de rir, se há-de chorar!
Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que ris de mim, sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amar,
A tua voz tortura toda a gente!...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim!... Ó vento, chora!
Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
E a gente andar a rir p'la vida fora!...
Florbela Espanca in Livro de Mágoas
sábado, 14 de novembro de 2009
O PÊ DO PÃO
-Como já sabemos os ditongos todos a professora ensinou uma letra nova. É o pê da pá, do pé e do barril... não!... enganei-me... é da pipa e também do pai e do pão!...
António/09
domingo, 8 de novembro de 2009
ALLEGRIA
I see a spark of life shining
Allegria
I hear a young minstrel sing
Allegria
Beautiful roaring scream
Of joy and sorrow, so extreme
There is a love in me raging
Allegria
A joyous, magical feeling
Allegria...
Cirque du Soleil
sábado, 7 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
QUASE ROMANCE
Na verdade, o deserto não existe: se tudo à sua volta deixa de existir e de ter sentido, só resta o nada: conforme se olha, é a ausência de tudo, ou, pelo contrário, o absoluto. Não há cidades, não há mar, não há rios, não há sequer árvores ou animais..........
Quando um de nós ficava parado a contemplar o deserto, o outro não deveria dizer nada. Tudo o que se pudesse dizer, naquelas alturas, ali, em frente ao nada ou ao absoluto, seria tão inútil que só poderia vir de uma alma fútil. Tudo o que se diz de desnecessário e estúpido, é um sinal destes tempos estúpidos em que falamos mais do que entendemos. No deserto, não há muito a dizer: o olhar chega e impõe o silêncio.
Miguel Sousa Tavares in No teu deserto- Quase romance
Oficina do Livro
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
PAZ ETERNA
Ó Senhor meu Deus, concedei-nos a paz pois tudo nos oferecestes; a paz tranquila, paz do sábado que não entardece............................
Ora o sétimo dia não tem crepúsculo. Não possui ocaso porque Vós o santificastes para permanecer eternamente. Aquele descanso com que repoisastes no sétimo dia, após tantas obras excelentes e sumamente boas,-as quais realizastes sem fadiga- significam-nos, pela palavra da Vossa Escritura, que também nós depois dos nossos trabalhos, que são bons porque no-los concedestes, descansaremos em Vós, no sábado da Vida Eterna.
Santo Agostinho in Confissões
CONFISSÕES
Santo Agostinho-Piero della Francesca (1420-1490)
Têmpera sobre madeira de choupo
Museu Nacional de Arte Antiga
O PESO DO AMOR
O corpo, devido ao peso, tende para o lugar que lhe é próprio porque o peso não tende só para baixo, mas também para o lugar que lhe é próprio. Assim o fogo encaminha-se para cima e a pedra para baixo. Movem-se segundo o seu peso. Dirigem-se para o lugar que lhe compete. O azeite derramado sobre a água, aflora à superfície; a água vertida sobre o azeite, submerge-se debaixo deste: movem-se segundo o seu peso e dirigem-se para o lugar que lhes compete. As coisas que não estão no próprio lugar agitam-se mas quando o encontram, ordenam-se e repoisam.
O meu amor é o meu peso. Para qualquer parte que vá, é ele que me leva.
Santo Agostinho in Confissões
sábado, 31 de outubro de 2009
O CANTO DOS POETAS
Na foto- Igreja N.S.Encarnação/Leiria
Silêncio
Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
COSTURAS E COZEDURAS
Enquanto cosia uns remendos malucos nas calças de ganga dos "putos" ouvi Paul Simon (para recordar belas canções).
Comprei o C.D. na loja da P.T. Também trouxe uma caixa de marcadores para os miúdos desenharem e com isso dei uma ajudinha à UNICEF.
Podia também ter comprado o último livro do Miguel Sousa Tavares mas já li.
Um dia destes vamos para comprar um selo e acabamos por adquirir os ingredientes para fazer os bolinhos do Dia de Todos os Santos. Por falar nisso tenho de ir amanhã ao mini da dona Maria. Vende uns já prontinhos. São deliciosos!!...Vai ser um fim de semana a trabalhar para a engorda...até rebentar as costuras.
Clementina Antunes/09
domingo, 25 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
NOITE
foto-Clemantunes
A cidade escureceu.
Os candeeiros calaram seu lamento e a noite silenciosa
mostra todo o seu esplendor.
No céu brotaram milhares de pontinhos luminosos
desenhando sonhos e lendas.
Procuro a minha estrela e ela me fala de ti
traz-me recados obscuros
que não sei ler.
Sorvo lentamente o encanto das sombras que se adensam
e mergulho no inebriamento da noite
que se afirma
Plena.
Clementina Antunes/09
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
ORFEÃO DE LEIRIA-ESCOLA DE VIDA

na foto-Júlia, Florinda, Fernando e Henrique Pinto
Setembro/1990
Desde 1986, ano em que tive a minha primeira experiência coral, que fui dirigida por alguns bons maestros. A primeira, Paula Coimbra, ajudou-me a dar os primeiros passos mas é no Orfeão de Leiria que, desde 89 até hoje, tento chegar mais além. Lá me ensinam quase tudo o que sei da arte do Canto.
Mas cantar em grupo é muito mais que produzir sons em harmonia. Cantar num grupo tão heterogénio é, mais que tudo, uma escola de vida, uma aprendizagem continuada, um desafio constante motivador de mudanças interiores.
Analisar comportamentos de um grupo em situações variadas desde um “simples” ensaio rotineiro ao grande concerto numa majestosa catedral duma qualquer capital por esse mundo fora, onde o cansaço de centenas de quilómetros feitos de avião ou na maior parte dos casos de autocarro nos obriga a um redobrado esforço de concentração, é uma tarefa deveras emocionante.
Não tenho, como alguns que conheço, memória de elefante mas é impossível esquecer alguns “quadros” surpreendentes que se desenrolaram ao longo de quase vinte anos de digressões.
Em 1990 o Orfeão vestiu-se de igual e rumou a Espanha, França e Suíça. Em Berna pernoitámos num abrigo nuclear. Experiência inédita. Olhos surpreendidos. Noite inesquecível de sons, imagens e cheiros irrepetíveis.
Camarata para Homens, camarata para Senhoras. Beliches. Beliches??!!! Eu não durmo nisto!! Vá, traz o lençol, tenho vertigens, eu quero por baixo, quem está aqui?, é só uma noite, que lixo, quero o meu homem, eu cá estou bem, se eu soubesse que era para dormir separada não tinha vindo, até que nem é muito má a cama, quem me ajuda a descer, se eu tivesse um telefone ligava para Portugal, tem calma é só uma noite, pedia ao meu marido para me vir buscar, não tenho sabonete, aquela já ressona, nunca mais me apanham numa destas, meninas vamos dormir, Ai meu Deus!!!, que foi???, o meu vestido está amachucado como é que eu vou amanhã à recepção do Senhor Embaixador?????
Balneários amplos, fila de chuveiros, corridos, casas de banho ao lado, Eles às sete, Elas às oito, tudo ao léu, é favor fechar olhos quando for fazer xixi, ai que não aguento, esgueiro-me na penumbra, ó diabo está ali um Ele, não cumpriu horário, não vale olhar, já não se pode tomar banho em paz, saída airosa, esconde o rosto, olha p´ró lado, oh mas que cu, não vale a pena olhar, tão escanzelado, volto para a cama, logo é outro dia, outro concerto.
Clementina Antunes/09
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
RAPIDINHA
Nada como uma tarde de chuva para nos fazer ficar em casa lendo, escrevendo ou até mexendo nos tachos. E que tal aproveitar e confeccionar uma receita rápida de um doce que se pode lentamente saborear à fatia, simples ou com uma tostinha? Um chá ou uma cevada quentes são bons acompanhantes( à falta de melhor...).
Por cada quilo de marmelos juntam-se 900gr de açúcar e 1 dl de água numa panela que se leva a lume brando.
Depois de levantar fervura, deixa-se ferver durante meia hora.Retira-se do lume e tritura-se muito bem com a "varinha mágica".
Coloca-se em taças e deixa-se secar na janela da cozinha.
Está pronta!!!
fotos e confecção-Clementina Antunes
sábado, 17 de outubro de 2009
CONTA E CANTA
foto Jornal de Leiria
Ontem, no Lar S. Francisco, em Leiria, os idosos vestiram-se de festa e alegremente celebraram o aniversário da sua residência.
Ana Rita Serras, minha companheira do Orfeão de Leiria e animadora cultural da Instituição, soube motivá-los e prepará-los para uma tarde diferente.
Nós, o grupo de voluntárias do projecto Conta e Canta, também estivemos lá com a nossa música e a nossa alegria. Foi grande a animação. Houve até quem disputasse um par. É que homens há poucos e os que querem dançar muitos menos. Foi bom para ELE que fez exercício redobrado...
Estavam tão bonitos os nossos "velhotes"...
O Dinis apareceu e documentou o momento:
http://www.youtube.com/user/AMIGODINIS?gl=BR&hl=pt#p/a/u/0/uw0HFP_TRFc
ClementinaAntunes/09
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
O NADA
Ouvir Rita Lee...
e num passo morno de dança
caminhar no abraço
de Saturno...
beber da luz dos seus anéis...
E depois dos sons
no compasso moribundo
na pausa ainda soletrada...
...................................................
E depois dos sons
no compasso moribundo
na pausa ainda soletrada...
...................................................
perder-se na imensidão do infinito
e mergulhar nas serenas cores do NADA...
Clementina Antunes/Out-09
Clementina Antunes/Out-09
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
POEMA DE OUTREM
EU LEVAVA...
Mas não consigo entrar no teu labirinto.
És mais o que foste do que aquilo que és.
Leva-me daqui!
Querias que me fizesse mulher.
Cá me tens.
Puxas-me para baixo e dizes-me ao ouvido com anseio:
Leva-me daqui!
Tens medo do sítio para onde caminhas.
Mas não tenhas.
Dei-te o carinho e o mimo que os órfãos nunca têm
Por isso me sussurras:
Leva-me daqui!
Se te conseguisse encontrar...
Eu levava...
Cristina Vendeirinho
Dia Internacional da Poesia
Leiria, 21 de Março de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O IRMÃO MAIS VELHO
na foto-"O Boneco"
Depois do António nascer, o Francisco nem sempre soube esconder os ciúmes que, como qualquer irmão mais velho, sentiu com a chegada de um novo elemento ao colo de sua mãe.
Desde muito cedo que o desenho e a pintura são tarefas fáceis que faz com prazer e criatividade conseguindo captar as formas com algum realismo, imprimindo-lhes movimento.
Com seis anos, já na escola, ouviu a professora pedir para desenharem a família. Nesse dia vingou-se dos abraços e beijos repartidos, das atenções e carícias partilhadas e suprimiu o irmão do seu círculo familiar. Uns dias mais tarde, a professora abre os olhos de espanto quando vê no pátio da escola um miúdo de três anos, irrequietos, que os outros apelidam de o irmão do Francisco.
Hoje fui buscá-lo à escola. Está com dor de ouvidos. Enquanto eu preparava o almoço o Francisco fez as duas coisas que adora quando está em casa da avó: ver os desenhos animados e brincar com um pequeno aparelho de massagem de madeira que, na sua fértil imaginação, já foi Pokemon, Digimon e outros que tais de que eu não sei o nome (muito menos escrever). Agora chama-se simplesmente “O BONECO”.
Clementina Antunes-Out/09
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
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